quinta-feira, 25 de junho de 2015

Televisão x mídia = processo de "imbecilização"






Em não menos de duas ocasiões, o ilustre professor Eugenio Zaffaroni fez questão de abordar os grandes malefícios que uma mídia de pouca qualidade gera em uma democracia fragilizada, principalmente na América Latina. E após fazer uma análise sobre as grades de programações dos canais de televisões abertas, sinto-me obrigado a acreditar que no caso do Brasil, essa realidade seja ainda mais drástica. Pois se o cidadão não possuir condições de arcar com uma “tv paga”, certamente ele será refém daquilo que há de mais bizarro, poluidor, deprimente e desencorajador. Porquanto ao avaliar canal por canal, grade por grade, salvo raríssimas e duvidosas vezes, quando conseguimos encontrar algo com a “fumaça de boa notícia”, ao final percebemos que ela na verdade possui um intuito tendencioso ou partidário. E pior, aquele que está diante de um microfone, profissionalmente falando, por vezes se esquece de seu dever de transmissor imparcial de notícias e informações para usá-lo de forma a convocar e disseminar ideologias ou resolver problemas pessoais.
Falas agressivas e desnecessárias, arrogância, intolerância, informação manipulada, festivais de programas que de muito colocam a mulher abaixo da condição de fruta ou objeto, programas de auditório recheados com o que há de mais sensacionalista, “jornalistas” que insistem a querer moldar um pensamento coletivo quanto a problemática da criminalidade de que “quanto mais prender melhor”, isso tudo desprezando qualquer necessidade de implementação de políticas sociais efetivas.
Se pararmos para observar, até em programas que o foco deveria ser seriedade, oportunidade de transmissão de informação relevante, dedica-se em média 20% do tempo para o fútil, 30% para o irrelevante, 40 para retratar o ódio / violência (sem no entanto, entrar no mérito das causas) e apenas 10% para algo que realmente alerte, ensine e oriente. Tudo obviamente com o intuito de investir no processo de imbecilização do cidadão. Sem contar a propaganda querendo estimular a um consumo a “qualquer preço”.
E pior, o povo parece gostar, discute de forma voraz quando o assunto é futebol, bbb ou novela, mas quando o assunto é política, prefere o argumento de que “política não se discute”. Esquecem que é debatendo e discutindo que ideias novas surgem. Basta analisarmos as redes sociais, caso alguém poste fotos seminuas de belos corpos, alguma imagem de celebridades em situações polêmicas (e que ninguém tem nada a ver com isso, diga-se de passagem) ou um beijo gay em uma novela, para isso ser suficiente a despertar milhares de curtidas ou compartilhamentos. Chegamos ao ponto de sermos capaz de curtir fotos e imagens em que grupos terroristas decapitam, incendeiam ou afogam inimigos. E ainda há quem pergunte o porquê de os radicais do EI rotineiramente fazerem questão de cometer tais atrocidades e filmar. A resposta é simples: há quem curta, compartilhe, divulgue, sem perceber que estão fazendo exatamente o que esses radicais querem.
O fato é que o Brasil para mudar não adiantará apenas uma renovação política, precisará haver uma mudança de paradigma, em que a prioridade seja a conjugação dos verbos no plural e não no singular, em que o discurso seja de união e não de segregação, que as diferenças sejam respeitas pois todos somos diferentes e iguais ao mesmo tempo. É preciso desconstruir a ideia de que são os políticos que mudarão nossa realidade social. Todos precisamos fazer a nossa parte.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui seu comentário e "VAI VENDO"...